domingo, 27 de dezembro de 2015

No ponto de ônibus

Ontem, no ponto de ônibus, ouvi uma conversa entre uma jovem de uns 16 anos e um senhor de quase 80 anos, penso eu. Sei que é feio ouvir conversas alheias, mas era impossível não escutar a prosa entre duas gerações distintas. E foi uma prosa bonita. Bem bonita. Foi algo mais ou menos assim:
- Olá...
- Oi.
- Posso me sentar aqui? - Disse o senhor ao apontar para o assento vago que estava ao lado da garota.
- Pode.
Ele pegou um cigarro e logo puxou assunto.
- Qual o seu nome?
A jovem, marrenta, não o respondeu e manteve os olhos fixos ao chão.
- Tudo bem?
- Você não deveria falar com estranhos. - Disse a garota sem paciência.
- Pois bem... Estava tentando te conhecer.
O senhor ficou olhando-a fixadamente até que ela resistiu e soltou a prosa:
- Isabela. Meu nome é Isabela.
- Paulo. - Ele disse satisfeito.
- O próximo ônibus chega as onze, daqui uma hora... O que faz aqui? - Ela perguntou, envergonhada por tê-lo ignorado.
- Estou pensando.
- Na vida?
- No amor. - Ele disse com a mão no peito.
- Ah... O amor... - A garota revirou os olhos e cruzou as pernas. - Dói, não é mesmo?
- O amor?
- É... Isso. - Ela disse com desprezo.
- Não. Não dói, não.
- Diz isso porque nunca deve ter tido um amor não-correspondido.
- E como tive... Bela. - Disse aos suspiros. - Desculpe-me, posso te chamar assim?
- Pode.
- Amor não é sinônimo de dor. Amor é...
- Inexplicável? - Ele falou com entusiasmo.
- Isso mesmo. Amor é tudo, menos dor.
- Mas dói...
- Então não é amor.
- É o que, então?
- Dor.
- Dor? Simples assim? Se não é amor, é dor? Dor? - Ela questionou indignada pela simplicidade da reposta do senhor.
- Bela, eu demorei quase 30 anos para entender que o amor é simples e que não dói. Acredita em mim. - Ele levantou, enquanto falava, para acenar para o ônibus que estava chegando. - A gente é que costuma complicar e machucar em nome do amor. O amor em si não dói.
- Falar é fácil. - A jovem falou com a cara amarrada, como quem não estava satisfeita.
O ônibus pára.
- Bela, desamarra essa cara. Coloca um sorrio nesse seu rosto bonito, que o próximo ônibus vem vindo. - Ele disse enquanto subia no coletivo e concluiu:
- Quem sabe você não encontra o amor no próximo ônibus?
Ela desfez a cara de marrenta, mas não soltou nenhum sorriso. E o senhor, paciente, alertou novamente:
- Lembre-se: se doer não é amor. É dor.
A jovem suspirou fundo. Até hoje não sei se foi de alívio pelo velho senhor ter ido embora ou se foi por, enfim, ter entendido que o amor é simples e que não dói.

sábado, 26 de dezembro de 2015

Cueca PP

Vou acabar sozinha. Sim, é isso mesmo: vou ficar para titia! Para titia, para vovó... Para "whatever". Não vou me casar, nem me juntar a alguém pelo simples (e inaceitável) fato de que não existe homem. Não há homem neste mundo!

Exagerada, eu? Não, não. O que existe por aqui são moleques, meninos e pivetes, menos homem. Os homens com H sumiram! Se foram para Marte,  eu não sei, mas, aqui, neste planeta, eles não estão. Até tem alguns indivíduos fortes, com barba e voz grossa perambulando por aí, contudo não fazem jus ao que é "ser homem".

Ser homem requer postura. Para ser homem com H é preciso saber a hora de encher a cara e de perder a linha. É preciso saber que a vida não se resume a mulheres nuas, festas e vídeo-games. É preciso saber (e se conformar) que o que acontece nos filmes pornôs dificilmente vai se repetir na vida real. É preciso respeitar as mulheres, não porque elas são o sexo frágil, muito pelo ao contrário. É preciso respeitá-las porque elas são mais homens que muito homem e também porque a Constituição garante a igualdade de gêneros.

E nessa história de respeitar mulher tem tanta coisa faltando! Cavalheirismo, romantismo, carisma... Deixa para lá, melhor nem citar. Não estou querendo nenhum homem perfeito, só um homem mesmo. O mínimo que deve existir, portanto, é respeito. Não precisa abrir a porta do carro, nem mandar flores no trabalho. Mas precisa oferecer carona e ajudar a arrumar o jardim, porque isso demonstra, além de respeito, sensibilidade.

E para ser homem de verdade é necessário muita responsabilidade e sensibilidade. Responsabilidade para lidar com a vida e sensibilidade para lidar com seres humanos. Brother, não adianta ter barba na cara e voz grossa, se a sua mentalidade é igual a de um garoto que acabou de descobrir a masturbação. O que faz de um indivíduo com pênis ser um homem vai muito além que pêlos no rosto e uma voz grave. Ser homem envolve ética e respeito. E isso, cueca nenhuma consegue comportar. Pelo menos não neste planeta. 

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Petróleo

O homem,
desde que é homem,
faz guerra.
Na antiguidade,
na idade média
e na moderna.
Guerra em nome da paz,
em prol do money,
em parceria com o sangue.
Primeira,
segunda...
Opa, vai com calma,
não engata a terceira.
Dá uma freiada,
dá uma esfriada.
O socialismo e o capitalismo
estão numa racha de mapa,
querem ultrapassar,
atropelar
e matar
a gente.
Que guerra feia!
Que guerra fria!
Mal acaba a corrida e já tem mais corpos na pista.
Vietnã, coitado,
teve seus filhos assassinados.
Pra que tanto tiro?
Pra que tanto sangue?
Pra que tanto choro?
Esse preço da paz tá errado.
Quantos juros,
quantos soldados,
quantos civis
dilacerados.
Não resta nada quando o último tiro é dado.
Tá tudo escuro.
Tá tudo preto.
Vai ver é luto...
Ou petróleo mesmo.

sábado, 19 de dezembro de 2015

Não sou para casar

"Eu sou para casar", digo sempre que algum conquistador barato tenta me levar para cama. Contudo, nunca pensei em me casar. O que eu quero dizer é: sou mulher para um só homem. Isso não necessariamente significa que eu queira subir no altar.
Não, não. Eu não quero uma aliança de ouro na minha mão esquerda. Sonho em encontrar a minha alma gêmea, mas não penso em algema-la a mim diante de um padre que nem sabe como nos conhecemos. Porque para mim casamento é isto - ou tudo isto: uma coisificação do amor. E o amor não é uma coisa.
Casamento. Essa é, sem dúvidas, a instituição na qual eu não quero fazer parte. Quero amar um único cara sem precisar de vestir algo branco. Quero dormir e acordar com a mesma pessoa sem precisar de fazer votos ou promessas. Quero beijar uma só boca sem precisar de alianças. Sou mulher de um só homem, mas não sou para casar.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Lata de sardinha

E o tempo passa. Passa mais ligeiro do que os ponteiros daquele relógio de pulso do seu avô, mais veloz do que o Cacá Bueno ou, até mesmo, do que o Ayrton Senna. A gente, porém, só nota essa velocidade do tempo quando já é tarde, quando o sol já se pôs, quando já é hora de dormir. Só quando os outdoors do centro da cidade estampam propagandas de natal é que a gente repara que nos esquecemos de muita coisa, como de ligar para aquela tia que mora no inteiror agradecendo a mensagem de aniversário que ela nos deixou no Facebook.

A gente se esquece de tanta coisa, de tantas pessoas... Às vezes, nos esquecemos para o bem, porque lembrar pode ser passagem para o voo da dor. E nesse avião ninguém quer embarcar. Mas, às vezes, nos esquecemos por descuido. A gente simplesmente se esquece. Se esquece de chorar, de rir, de gritar, de cantar, de amar... De viver. A culpa, contudo, não é nossa. Oras! Não há tempo sobrando.

Tempo: até parece o infinito apertado dentro de uma lata de sardinha em conserva. O muito no pouco ou o pouco no muito? Tanto faz. Tanto faz o tempo ser curto ou longo. Tanto faz, até o dia em que o "tempo" for vendido em cápsulas de rápida absorção. Por agora, temos que nos conformar com a latinha que recebemos e fazer do infinito que nos foi dado, o mais intenso possível. Sim, não temos todo tempo do mundo, porém, se serve de consolo, temos toda a sorte do universo. Sorte por ainda não ser tarde demais. O sol até se pôs, mas amanhã ele estará de volta. Ele estará de volta para nos lembrar que o tempo passa, quiçá, voa e para nos lembrar também que ainda dá tempo de despachar a nossa mala de esquecimento e embarcar no voo da recordação.

E, se a gente quiser, ainda dá para convencer o comandante de fazer uma rápida conexão em algum lugar para gritarmos o nosso amor por alguém. Não é uma questão de tempo, é uma questão de querer, de dar prioridade e de viver. Com uma lata de sardinha cheia de infinito dá para alimentar tanta coisa, tantas pessoas.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

A janela deveria ser maior

Eu nunca tinha entendido aquela agonia que as mulheres sentem aí esperar a ligação - ou até mesmo uma mera mensagem - daquele cara da noite anterior.  Pelo amor de Deus, é só um homem! Oras, você pode ir a uma boate no sábado e encontrar outro homem pronto para suprir sua carência e te levar ao delírio depois de uma semana cheia de trabalho. Por que ficar pensando no rapaz que pegou o seu número depois de uma conversa, de um beijo ou de uma transa que seja? Eu nunca tinha entendido essa agonia de esperar um sinal de vida do "cara de ontem", até o dia em que anotei o meu número no celular de um rapaz de olhos claros, na sala de desembarque de um aeroporto. Aí, sim, senti na pele o que é ficar colada no celular.
Confesso que ainda não larguei o meu celular, que ainda o pego, com muita esperança, a cada vibrar e a cada barulho que ele faz. Mesmo após se terem passado 7 dias. Tanta esperança vem dos "talvez" que construo na minha mente vazia e, quiçá, ingênua. De fato, ele ainda não ligou... Mas, talvez, ele esteja ocupado com os amigos, até porque o motivo que levou ele a estar na mesma cidade que eu são quatro amigos. Ou quem sabe ele está tão deslumbrado com a calmaria que é essa cidade, em comparação à capital agitada e apressada que é São Paulo, e não teve tempo de fazer uma ligaçãozinha? Sim, ele é paulistano. Ah, e ele faz direito! Como descobri tudo isso? Depois de viajar num Boeing - cujo número do voo era 1599 - ao lado de um cada educado e com um papo bacana, dá para descobrir algumas coisas além da beleza daquele par de olhos verdes.
Sempre tento viajar sentada ao lado da janela, seja o meio de transporte que for! Nessa minha última viagem de São Paulo até a cidade que moro, não foi diferente. Janela na certa. O diferencial desse voo, porém, foi que tive o prazer de ter ao meu lado um jovem educado e carismático que tentou puxar assunto comigo desde que os avisos de segurança aos passageiros começaram. Mas eu sou um pouco marrenta... De princípio, não dei bola. Não dei bola, até viajar por aqueles olhos. "A janela deveria ser maior ",  ele disse depois de eu abrir a janela ao meu lado, que estava fechada por causa do sol. Obrigada sol. "Também acho, até porque a graça de voar é poder admirar". E assim começou.  Começou o que costumo chamar de "amor de um minuto"  A diferença desse amor de 60 segundos para os outros que compuseram minha vida foi que, no final, eu dei a ele o meu número. E ele ainda não ligou.
Como a esperança é a última que morre, eu ainda estou esperando. Agoniada, espero que até o final desde texto ele dê um sinal de vida. Uma mensagem ou uma ligação, não importa, continuo no aguardo. E se ele não ligar? Bom, se ele não ligar, o jeito é chamar as amigas para sair no próximo sábado, afinal, sempre vai existir um homem pronto para suprir minha carência. Pode não ser um rapaz com um par de olhos verdes que, assim como eu, prefere viajar perto da janela e admirar a vista. Pode não ser um paulistano que faz direito. Pode não ser o cada que durante um voo me deu a dica de viajar durante a noite porque, segundo ele, "dá para ver todas as estrelas e parece que você está no espaço" .

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

PENETRA

o amor é penetra
em todos os sentidos
no de verbo
e no de adjetivo
aparece sem convite
na festa que é
a vida alheia
e se não bastasse
penetra lá dentro
lá no fundo
lá no lado obscuro
do coração da gente

Ser refugiado

De um lado, o preconceito e, por vezes, o medo de diversos europeus em dividir o território com milhares de refugiados famintos. Famintos de comida, de paz e de segurança. De outro, a compaixão, a alteridade e a empatia que fazem alguns europeus e o mundo perguntarem a si mesmos: "e se fosse eu?". O fato é que ninguém quer ser um refugiado. Ninguém quer embarcar num navio, num barco, numa canoa para tentar a sorte - ou a fé - nos mares.  A Europa contemporânea e o mundo, nesse contexto, estão divididos ente duas maneiras de resolver o problema que é ser refugiado: com barbárie ou com humanismo.
Sem dúvidas, a Europa moderna está pagando os seus pecados por ter colonizado a África e, se assim não bastasse, tê-la dividida em prol do mercado europeu, sem respeitar as diferenças étnicas, religiosas e culturais do continente. O Estado Islâmico, que promove o horror e que dá origem aos refugiados, é consequência do imperialismo europeu ocorrido no período de neocolonialismo. Contudo, os refugiados não são um problema apenas da Europa. São um problema do mundo. A partir do momento em que uma família abandona sua casa para pedir ajuda a um europeu, esse problema passa a ser de toda a sociedade global. E basta ter um pouco de humanismo  para ver que o refugiado é semelhante a qualquer homem, mesmo despido de todas as futilidades da vida capitalista e vestido de esperança e medo.
Entretanto, nem todos os indivíduos têm essa audácia de se colocar no lugar do outro, de ser humano. Há quem preferia o barbarismo  e, infelizmente, desse tipo de pessoa a Europa - e o resto do planeta - está cheia. Diversos países diferentes continente wstao fechando suas fronteiras para os refugiados. Estão entregando aos mares incontáveis vidas. Estão promovendo o horror, como o Estado Islâmico. Mas isso, bom... Isso não é chamado de terrorismo. Imagina só: a Europa praticando terrorismo? Claro que não. Isso é estratégia para evitar futuras e possíveis conturbações no continente. A morte, o sangue, o choro, o grito por socorro tudo isso é reflexo do barbarismo que é fechar os olhos. Fechar as portas. Fechar as fronteiras.
É difícil engolir o preconceito e sentir o gosto da alteridade e da empatia. Pensar no "e se fosse eu?" pode provocar um certo desconforto. Porém, a inquietação e o espanto são necessários. A Europa e o mundo não devem ser insensíveis com essa anormalidade que é ser refugiado e tampouco aceitar as atrocidades cometidas pelo Estado Islâmico. Todavia, a barbaridade (sim, a condição de refugiado é uma barbaridade que atinge milhares de pessoas) não se resolve com barbárie. O homem, diante de uma história marcada pelo derramamento de sangue, bem sabe que a pior arma para garantir a paz é a guerra.

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

AMOR NÃO SE MENDIGA


Não são poucas as vezes que revistas “teens” e blogs de moda e comportamento circulam temáticas como “10 dicas para conquistar aquele gato”. Se isso não é ridículo para a maioria dos jovens, creio que o amor e os relacionamentos estão, hodiernamente, fadados ao fracasso. Ei, há um asterisco que esses meios de circulação não citam e que são de extrema importância: *não se mendiga amor. Qual é?! Amor não se conquista com 10 dicas, nem mesmo com 15 passos.
O amor não se procura, nem se insiste, ele simplesmente acontece. Acontece na fila de um banco, na lanchonete da faculdade, no supermercado ou na festa de aniversário de um primo de 3º grau. Não importa onde ou quando, o amor acontece sem a gente ver - ele nos pega desprevenido. O problema, contudo, é que por vezes ele demora a aparecer e, por isso, num mundo em que ninguém quer acabar sozinho, bate o desespero. Nesse contexto, matérias sobre como conquistar um homem são altamente lucrativas e o amor é totalmente banalizado.
Forçar a barra nunca foi algo que admirei. Sou apaixonada por acontecimentos naturais, sem segundas intenções, sem porquês e para quês. Porém, numa sociedade em que até relacionamento e amor viraram matéria prima para a industrial cultural, eu sou tachada de brega. Brega e clichê, prazer, essa sou eu. De cara lavada, falo: odeio o superficial. Cara, eu sou taurina: entrego-me de corpo e alma àquilo e àquele que amo. Mas só se eu amar. E ninguém me conquista com 10 dicas publicadas numa revista que custa 12 reais. Não é pelo preço, mas sim porque é superficial. Ah, como bem disse, o superficial causa-me náuseas.
Grande parte dos relacionamentos contemporâneos dá errado, por causa, justamente, da banalização do amor. Quando um namoro acaba, a primeira questão que passa pela nossa cabeça é: “por que não deu certo?” A pergunta a se fazer, porém, não é essa, mas, sim “será que era amor?” Na maioria das vezes não era. Não era, pois a gente tem essa mania de precipitar as coisas. A gente tem essa mania de confundir solidão com amor. A gente tem essa mania de se declarar sem amar. Tem uma coisa que a gente precisa aprender antes do amor acontecer: ficar sozinho não é tão ruim assim e pode ser muito –muuuuuuuito– bom.

Tenha isto sempre em mente: enquanto o amor for mendigado, a futilidade virá como gorjeta. 

sábado, 26 de setembro de 2015

FATIAS DA MINHA LARANJA

A vida não é feita de um amor
Eu, por exemplo, tive vários
E os amei na mesma intensidade
A diferença porém
Não está no Zé ou no Fulano
Mas em mim
Sim! “O problema não é você, sou eu”
Amei todos os meus amores igualmente
A pessoa que eu era quando os amei
Aí sim, é que era diferente
Não tenho metade da laranja
Tenho fatias
Fatias de laranja que me completam
Não é ménage
Nem sacanagem
São meus amores da vida

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

TEM PRÍNCIPE QUE NÃO LIGA NO DIA SEGUINTE


É irrefutável que nós, mulheres, crescemos ouvindo histórias de princesas em apuros que encontram um príncipe e ambos vivem felizes para sempre. A gente não se pergunta como uma “fada madrinha” faz de uma abóbora uma carruagem, nem como uma maça pode fazer alguém dormir por tanto tempo. A gente, simplesmente, acredita na magia. Tomamos como verdade o príncipe que procura, por toda a cidade, a moça que esqueceu o sapatinho de cristal num baile. Que diabos? Eu jamais deixaria um sapato de cristal para trás. Não é questão de luxúria, mas é que eu tive que trabalhar hora extra para poder pagar esse sapato caríssimo. E olha que eu dividi em suaves parcelas.
A questão é: não sou tão apressada quanto a Cinderela e tampouco descuidada como a Branca de Neve, que aceita maça de qualquer bruxa que passa na esquina. Eu sou uma mulher independente. Trabalho de segunda a sexta e, às vezes, dou-me o luxo de ir a uma balada com minhas amigas – que estão mais para plebéias – em um sábado à noite. Fazer o que? Não é todo mundo que frequenta bailes ou que possui uma fada madrinha, não é mesmo? E se você espera por um príncipe como o da Branca de Neve, pode esperar sentada! Homem nenhum vai atravessar uma floresta para acordar uma dondoca com um beijo. Ele tem mais o que fazer, colega. Há contas para pagar, o cachorro para cuidar, a louça para lavar e um carro para concertar. A vida real não é tão simples como nos contos de fada.
Duro mesmo é quando nós descobrimos que os príncipes da vida real não são tão românticos e dedicados quanto, por exemplo, o que a Rapunzel fisgou com a sua trança. Nós choramos quando o nosso primeiro namorado decide, do nada, terminar. Choramos, porque acreditávamos que ele era “o príncipe”. Choramos também no segundo término, no terceiro, no quarto... Até o dia que nos conformamos que as princesas da Disney estão casadas com os melhores príncipes. Os que sobraram, até dão para o gasto, mas eles não são dignos de serem exibidos nas telas de cinema. Tem príncipe, por exemplo, que não paga a conta do restaurante. Tem príncipe que não liga no dia seguinte. Tem príncipe que não te pede em casamento. E não tem nada de errado nisso tudo, até porque, tem princesa que não procura por príncipe. Tem princesa que não quer compromisso. Tem princesa que sonha com o diploma, não com uma casa, dois filhos e um cachorro.

Uma coisa que a princesa Ariel não sabia é que tudo bem viver, no mar, solteirona, sem um príncipe. Tem muita coisa linda e maravilhosa para se ver nas águas profundas. Tem muita vida esperando para ser descoberta, com ou sem príncipe. 

terça-feira, 15 de setembro de 2015

PRIMEIRA VEZ


Na primeira vez que ouvi uma música do Slipknot, meus ouvidos doeram. Claro que doeram, eu sempre fui de ouvir mpb. Meus ouvidos estavam acostumados com Lulu Santos, Maria Gadú e Cazuza, não com Slipknot. Eu estava no carro, escutando a rádio e quando começou o refrão da música - aquela parte "I am a worm before I am a man", sabe? -, eu pensei comigo: como alguém consegue gostar disso? Haja ouvido para heavy metal.
Isso me fez pensar também como alguém consegue passar a vida inteira sem comer carne ou como biólogos conseguem ir para o pólo sul cuidar de pinguins. Eu não aguentaria ficar uma semana sem comer uma alcatra bem passada e nem mesmo um dia num lugar em que meus ossos latejassem de frio. São loucos os vegetarianos e os biólogos? Talvez.
Depois desse drama e depois da rádio já ter tocado outras três músicas, eu fui pesquisar um pouco sobre heavy metal e sobre Slipknot enquanto o famigerado trânsito de São Paulo estava estagnado. Cara, até o jeito que a banda se caracteriza é bizarro! Pesquisa vai, pesquisa vem... Coloquei uma música deles, chamada “Snuff”, para tocar. Dessa vez, meus ouvidos não reclamaram nem protestaram contra àquele timbre. Era uma música bem mais tranquila que a primeira que eu tinha escutado. A letra era bacana. O som da guitarra estava foda. Eu estava curtindo o som, confesso.
Aumentei o volume e até arrisquei cantarolar. "But all of that was ripped apart, when you refused to fight SO SAVE YOUR BREATH, I WILL NOT HEAR!" Mas o pessoal dos outros carros pareceu não gostar. Buzinaram, buzinaram e buzinaram. Pensei comigo: Que diabos! Como alguém consegue não gostar dessa música? 

Essa minha rápida aceitação musical, me fez pensar em algumas coisas e chegar a algumas conclusões: a priori, a experiência é extremante importante para que a gente possa se adaptar às coisas novas e para que possamos adquirir mais conhecimento de mundo. Se meus ouvidos não tivessem sofrido com a primeira música, talvez a segunda não seria tão boa. A adaptação, por sua vez, não é um bicho de sete cabeças.Pode ser difícil, penoso e dolorido, mas adaptar-se, seja lá ao que for, é totalmente possível. Se eu consegui e gostei de escutar Slipknot, você, meu caro, está apto para qualquer coisa. Inclusive para ser vegetariano ou viajar para o pólo sul a fim de cuidar de pinguins. 

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

O COMEÇO DE UM FIM


Fins existem. Por mais difícil de aceitá-los, eles estão aí. Para magoar, para chorar, para se embriagar, para entrar em depressão… Mas acima de tudo, para iniciar. Inciar uma nova jornada (que vai, novamente, acabar num fim inédito). Esse é o ciclo vicioso chamado “vida”.

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

UMA QUESTÃO DE SORTE


Se tiver sorte - quero dizer, muita sorte - você pode encontrar um cara que te ame; algo como a metade da sua laranja ou sua alma gêmea. É possível. Vai ver você o encontre num elevador ou num ponto de ônibus.Quem sabe, por ironia do destino, você o encontre na fila de uma loteria? Seria a melhor aposta da sua vida, grande sorte.

terça-feira, 1 de setembro de 2015

CORFOMISMO: O MAL DO SÉCULO

Augusto Cury escreveu um livro, recentemente, sobre a ansiedade e caracterizou-a como o “mal do século”. Eu, como uma pessoa que sofre com o male que é a ansiedade, acredito que não é para tanto: a ansiedade não é o mal do século. Tem coisa muito pior que o meu roer de unhas antes de uma entrevista de emprego ou que a minha ânsia antes de um teste importante. Tem coisa muito pior que a ansiedade, a começar pelas 5 crianças que, neste minuto, morreram de fome em algum lugar do mundo.
Sim, sim. Pelo menos 5 crianças morrem de fome a cada minuto. E a morte delas, ninguém vela. O nome disso, meus caros, é conformismo. Augusto Cury que me perdoe, mas o mal do século chama-se conformismo, não ansiedade. O ser humano tem se conformado com o que não devia. Ele se conforma com a fome na África, com o trabalho análogo à escravidão na China e com a educação precária no Brasil. Ele se conforma com o inconformável.
A família hodierna, por exemplo, almoça na sala assistindo ao jornal e tem como aperitivos assassinatos e assaltos. Todavia, ninguém se espanta. O João, filho mais novo dessa família, teve o celular furtado semana passada e a solução para esse crime que deveria ser inadmissível foi comprar um celular novo, pois a vida segue. “Vida que segue”, diz Joana, a esposa e mãe, para uma amiga depois de revelar que não aguenta mais o seu marido. Mas ela não vai pedir o divórcio, porque ela já tem lá seus 40 anos e não quer enfrentar mudanças. O marido, por outro lado, não aguenta mais ser professor de matemática e sonha em abrir uma microempresa, contudo, ele não vai pedir demissão do colégio onde trabalha. Ele vai continuar como professor porque é mais fácil assim. É mais fácil aceitar a realidade do que mudá-la; é mais fácil se conformar.
Quantas famílias não são como essa? Quantas mulheres não querem, assim como a Joana, se separar de seus maridos? Quantos trabalhadores não sonham em ter seu próprio negócio? Quantas crianças africanas não dariam tudo por um pedaço de pão? Quantos animais já foram extintos para alimentar a famigerada indústria da moda? Quantas mães não choram no corpo de seus filhos assassinados? Quantos e quais terão que morrer para você se comover?
Está vendo? O conformismo cegou a humanidade. O conformismo é o mais perigoso assassino solto. O conformismo mata desde sonhos às pessoas. O conformismo enterra a felicidade sem direito a homenagens. Esse é o mal do século e a humanidade precisa ser, urgentemente, medicada.

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

MANIFESTO EM PROL DE UMA VERDADEIRA PÁTRIA EDUCADORA (1ª pessoa do singular ficcional)


Ninguém mais quer ser professor. Você entra em uma sala de aula e as respostas são sempre as mesmas: "eu quero ser médico ou engenheiro". Há os que se arriscam em cursar direito, psicologia ou arquitetura, mas ninguém se arrisca em ser professor. "O que? Ganhar um salário extremamente baixo e ter um ínfimo reconhecimento? Não, não. Eu não quero ser professor", diz 88% dos estudantes brasileiros. Eu, todavia, arrisquei-me: sou professor de literatura há 20 anos e há 20 anos sou negligenciado pelas políticas governamentais.
Nós, professores, que com um aparato adequado, um quadro, um giz e um diploma no bolso, educamos incontáveis indivíduos e formamos milhões de estudantes, não merecemos um salário baixo, nem o descaso do governo, tampouco o desrespeito de um aluno. Não merecemos também as balas de borracha que são atiradas contra nós. Que incoerência: saímos às ruas para lutar pela educação brasileira e somos duramente reprimidos por nossos policiais ex-alunos. Nós vamos exigir nossos direitos, sim! Nós vamos exigir a melhoria do sistema educacional, sim! Pois cabe a nós "a responsabilidade", como disse José Saramago, "de ter olhos quando os outros os perderam" e de formar uma sociedade mais humanitária.
É hora de os governantes - e toda a sociedade - lembrarem-se de quem os ensinou a ligar os pontos, a formar letras, palavras e a serem cidadãos. Deixemos de ter a falta de pronunciamento de Macabea, sejamos professores ativos. Nós educamos pessoas, nós formamos indivíduos e merecemos, portanto, respeito e direito de sermos ouvidos. Vamos sair às ruas para gritar, para exigir e para reivindicar a dignidade e a educação garantidas pelo artigo V da Constituição. Mas vamos fazer isso como bons mestres, bons professores. Sem quadro e sem giz, nós vamos ensinar nas ruas quem é a peça essencial da máquina chamada sociedade. Senhores governantes, sejam bons alunos, façam suas tarefas de casa e lembrem-se: ninguém mais quer ser professor. Quem vai educar seu filho? Quem vai educar seu neto? Quem vai educar sua nação?

AMOR DE UM MINUTO INTEIRO





Foi controlando o meu cabelo rebelde
Que perdi o controle do meu coração disciplinado
Olhei nos seus olhos
A vida ao seu lado seria intensamente branda
Estável
O efêmero tempo nunca foi tão infinito
Paixãozinha
De um minuto
Sessenta segundos
Peguei minhas coisas e parti
De coração inteiro e um amor de um minuto



Esses versos foram feitos numa viagem que fiz à Pedra Bela onde me apaixonei profundamente durante 60 segundos por um cara cujo nome e endereço eu desconheço. Espero que vocês também se apaixonem por desconhecidos na rua, por favor! Não quero fazer papel de estranha nessa sociedade já pouco receptiva hehe. Enfim, tenho alguns comentários a tecer:

  1. Estou muitíssimo feliz por estar escrevendo e por poder compartilhar meus textos aqui.
  2. O "Sentimentalismo (e outros "ismos") tem uma página no face que é esta AQUI.
  3. Se você acha que o Blog precisa melhorar em algum aspecto, por favor, deixe sua opinião nos comentários. 
  4. Ademais, seja feliz, porque, no final das contas, é isso o que importa.
Beijos, pessoal!


DESARMEMO-NOS (pequena homenagem ao Eduardo morto, no começo de abril, por um policial)


"Não há nem nunca houve essa coisa chamada sociedade, o que há e sempre haverá são indivíduos”, assim Thatcher caracterizou a (des)organização social e devo concordar com tal afirmação. De fato, no sistema brasileiro, não existe uma sociedade, mas, sim, inúmeros indivíduos – ora amontoados em morros, ora aglomerados em centros urbanos. Indivíduos que, dependendo – exclusivamente – da sua cor e da sua condição financeira, recebem um tipo de tratamento. Um tipo de carro e um tipo de casa. Um tipo de atenção. Preciso, aqui, mencionar qual cor e qual conta bancária recebem mais atenção?
Creio que não, mas uma coisa precisa ser dita: Gilberto Freire foi infortunado ao afirmar que existe uma “democracia racial” no Brasil. Não, não existe. O que existe é o comodismo, o preconceito, a ignorância e a hipocrisia social que calam as vozes dos que ainda não foram ouvidos, que sufocam os que querem gritar e que causam calos nas cordas vocais dos que, por ventura, colocaram a boca no trombone. O que existe é um estupro cotidiano dos Direitos Humanos e a disseminação de um vírus tão mortal quanto o HIV: o descaso. Descaso que José Saramago tratou em seu romance “Ensaio sobre a cegueira” e metaforizou-o como “cegueira branca”. O homem cegou-se diante das carências sociais, da violência corriqueira, da corrupção cotidiana e do contraste urbano. Posto que muitos não reparam a realidade que os cercam, cabe a nós - nós que ainda nos espantamos diante de tamanha desordem social - a responsabilidade de ter os olhos quando os outros os perderam. A responsabilidade de ecoar os sussurros dos que, do morro, sofrem diante dessa “cegueira branca”.
Uma vez que o sistema brasileiro ainda possui marcas do passado colonial, como bem disse Caio Prado Jr, esperar-se-ia o que se tem hoje: uma “ditadura racial”. Preto é bandido, branco é doutor. Preto mora na favela, branco mora na casa grande de um condomínio fechado. Preto porta arma, branco porta celular. Um criança negra e pobre que mora no Complexo do Alemão, por exemplo, jamais portaria um celular, não é mesmo, senhor policial? Uma criança negra com um celular? Não, não. Preto porta arma. Em que Estado um Eduardo carregaria um celular no bolso? Num Estado em que, certamente, existe uma sociedade, talvez no Estado que Platão idealizou, mas não no Brasil. Aqui, o preconceito velado é tristemente escancarado nas mortes severinas, nos noticiários, nas ocupações de trabalho e nos diversos muros que ergueram-se hodiernamente. Aqui, a pobreza é sinônima de violência. Aqui, Eduardos não têm chance.
O que, por muitas vezes, não fica claro é que o pobre ou o negro não é bandido. O pobre e o negro não, necessariamente, praticam violência, mas, obrigatoriamente, eles sofrem violência, seja ela moral, física ou psicológica. Permitir que inúmeros indivíduos habitem morros, em “casas” sem saneamento básico e sem segurança, é um ato de violência, assim como desfavorecer um negro. É ultrajante, portanto, ver que, em pleno século XXI, nós precisamos discutir sobre o preconceito racial e a pobrefobia. A “cegueira branca” alastrou-se pelo Brasil e a “ditadura racial” marca o cotidiano do brasileiro, o que fazer, então? O que fazer? Atirar contra Eduardos, certamente, não é a solução para a desorganição social. Desarmemo-nos. Das armas, do comodismo, do preconceito, da ignorância e da hipocrisia social.

UM ATO DE CORAGEM


“Eu quero ser médica, quero salvar vidas”. “Eu quero entregar jornal de porta em porta”. “Eu quero ser um astronauta e viajar até saturno”. Com essas frases mirabolantes e um tanto espontâneas, nós, quando crianças, queríamos brincar de planejar o futuro. Não importava, de fato, se entregar jornal dava dinheiro ou se ser médico requereria demasiado estudo: nós só queríamos ser. Ser.
Ser, quando não se é mais criança, é um ato corajoso. Isso pode soar, mais uma vez, mirabolante, mas não é qualquer individuo que tem a audácia de “ser”. Muitos – digo, muitos mesmo! – se escondem atrás de padrões e de mesmices que a sociedade hodierna, duramente e “midiamente”, estabeleceu. Muitos se escondem atrás do conformismo. Muitos se escondem atrás do medo. Poucos são aquelas que assumem o seu “ser”. Eu sou quem sou: gosto de usar meia colorida com chinela e não me importo se a Gisele usou uma sandália de pedras maravilhosa no catálogo de alguma loja carérrima. Eu gosto de humanas e não me importo se medicina e engenharia são cursos promissores. Eu gosto de comer assinha de frango com as mãos e não me importo se isso vai de encontro às regras de etiqueta. 
De fato, “ser” quando criança era bem mais fácil. Se comíamos a assinha com a mão, ninguém achava feio, afinal, éramos crianças. Contudo, se já com 30 anos na cara usamos meia com chinelo, somos tachados de “bregas” ou de “desleixados”.  Imagine então se com 18 anos decidimos fazer letras! Jogam-nos pedras! “Letras? Mas você quer morrer de fome?”. Não, não. Eu não quero morrer de fome, mas também não quero morrer de desgosto. Desgosto por nunca ter sido aquilo que eu queria e por nunca ter feito o que eu sempre tive vontade.

“Ser” – repito – é uma ato corajoso. Sejamos aquilo que vier à tona, aquilo que der vontade, aquilo que nos fizer feliz. Simplesmente, sejamos. 

UM ESTRANHO MOSAICO ÍMPAR


Carlos Drummond de Adrande escreveu umas vez que todo ser humano é um estranho ímpar. De fato, ninguém é igual a ninguém, mas há algo em comum entre eu e você. Entre eu e o seu vizinho. Entre você e o meu melhor amigo. Sim, sim. Há algo que tangencia dois estranhos ímpares: todos nós somos como um mosaico incompleto e inconstante. Um mosaico de experiências, de histórias e de aprendizagem. 
A graça da vida está , justamente, no fato de sermos esse estranho mosaico ímpar – incompleto e inconstante. Incompleto e inconstante, pois estamos sempre aprendendo novas culturas e ideias e mudando de opinião. Caramba, que “metamorfose ambulante”, não é mesmo Raul Seixas?
Montar esse mosaico é viver. É viajar para aquela cidadezinha no interior e ouvir o sotaque do padeiro e rir, sem preconceito linguístico, do jeito que ele fala “pão com carne”. É conversar com o moço que está sentado do seu lado, no metrô, sobre política e clima. É ser reprovado naquele teste importante e não desistir, porque uma hora há de dar certo. É sentar com seus avôs no sofá e escutar histórias sobre o quanto eles trabalhavam para por comida na mesa. É sorrir para o garçom e perguntar qual prato ele prefere. É economizar dinheiro para fazer aquela viagem incrível que você tanto sonha. É chorar no travesseiro depois de terminar o namoro e odiar, durante meses, o ex. É chamar os amigos numa quinta-feira à noite para comer pizza e tomar vinho em copo de requeijão. É ligar para o chefe e fingir estar doente para poder ficar em casa, o dia inteiro, assistindo filme de drama.
Toda experiência, história e aprendizagem são pedacinhos que compõem o ser humano e cada fragmento tem o seu valor na construção do mosaico que é “ser” humano.

domingo, 30 de agosto de 2015

ANAGRAMAS DE AMOR

Amor. Ramo. Roma. Omar. O mar. Omar é anagrama de amor. Pra ser exata, amor tem 24 anagramas, mas “omar”… O mar e o amor tem alguma ou quem sabe, toda semelhança. O que? Tá duvidando? Saca só: ambos podem te proporcionar momentos de alegria e adrenalina. Eles podem juntar pessoas de vários lugares. Ah, fora o comércio que eles sustentam - desde prancha de surf até aliança de noivado! No entanto, há quem os evitem… Deve ser medo, contudo não os julgo, afinal; o mar e o amor podem levar a morte. Amor-te.

ARMA PACIFICADORA

O homem, desde que é homem, faz guerra. Na antiguidade, houve guerras em nome do expansionismo. Na idade média e na moderna, os grandes conflitos foram pautados na ambição humana. Na idade contemporânea, a 1ª e a 2ª Guerras Mundiais marcaram todo o mundo. Nesse traçado histórico brevíssimo, mais de 100 bilhões de homens foram dizimados. Mais de 100 bilhões de indivíduos morreram em guerras, em nome de uma ideologia, em nome de uma promessa. O homem, essa espécie dita racional, já fez guerra até mesmo pela paz. Mas que tolice esta: a maior arma pacificadora da humanidade se chama “guerra”. E se não bastasse, o ser humano ainda traça guerras cotidianas com o seu próprio “eu” – luta e reluta. Até parece que o homem já nasceu com armadura. Contudo, uma coisa que essa espécie insiste em não aprender é que não se conquista paz com guerra e que lutar contra o seu próprio “eu” demanda muita – muuuuuuita – sanidade.

PRIMEIRO POST (SOBRE MIM E SOBRE O BLOG)

Tô de olho em você! ;*
Sejam muuu(...)uuuito bem vindos ao meu ao seu e ao nosso Blog! Meu nome é Gabriella e eu tenho 18 anos. Sempre gostei muito de escrever... Aos 14 anos, essa idade melodramática que qualquer mulher vive, eu escrevia muitos textos de temas amorosos - era amor pra cá e pra lá. Ainda escrevo sobre essa peste que é o amor, mas, atualmente, procuro ter uma escrita variada. Aos 17 anos entrei para um curso de redação em que pude aperfeiçoar e aprender técnicas de escrita que me ajudam também no vestibular. E agora, cá estou eu. Criei vergonha na cara e montei um espaço para compartilhar o que chamo de "tentativa de texto".
Sim, sim. Tentativa, pois acredito que um texto nunca está pronto ou bom o suficiente para ser dito "ponto final". O ponto final não é definitivo. Dá para ver que sou fã de Heráclito, não é? Aquele do "ninguém pode entrar duas vezes no mesmo rio", sabe? Enfim.
Uma coisa que acho importante deixar claro antes de publicar minhas escritas é que EU SOU DRAMÁTICA. Faço drama, sim! E meus textos esbanjam drama também. E meu Blog, eu espero, sinceramente, que transborde drama. Porque além de dramática, eu gosto de que coisas que combinam. Então, obviamente, comida agridoce não é comigo. Ah, tem mais uma coisa: meus pensamentos são super bagunçados. Neste parágrafo que você acabou de ler, por exemplo, eu falei de drama e de comida - tudo a ver, né?
Ademais, espero que vocês curtam este espaço que criei para vocês - amigos, parentes e pessoas que gostam do que eu escrevo. Então é isso. Beijinhos, passe protetor solar direitinho e seja feliz, porque, no final das contas, é isso o que importa.