terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Ser refugiado

De um lado, o preconceito e, por vezes, o medo de diversos europeus em dividir o território com milhares de refugiados famintos. Famintos de comida, de paz e de segurança. De outro, a compaixão, a alteridade e a empatia que fazem alguns europeus e o mundo perguntarem a si mesmos: "e se fosse eu?". O fato é que ninguém quer ser um refugiado. Ninguém quer embarcar num navio, num barco, numa canoa para tentar a sorte - ou a fé - nos mares.  A Europa contemporânea e o mundo, nesse contexto, estão divididos ente duas maneiras de resolver o problema que é ser refugiado: com barbárie ou com humanismo.
Sem dúvidas, a Europa moderna está pagando os seus pecados por ter colonizado a África e, se assim não bastasse, tê-la dividida em prol do mercado europeu, sem respeitar as diferenças étnicas, religiosas e culturais do continente. O Estado Islâmico, que promove o horror e que dá origem aos refugiados, é consequência do imperialismo europeu ocorrido no período de neocolonialismo. Contudo, os refugiados não são um problema apenas da Europa. São um problema do mundo. A partir do momento em que uma família abandona sua casa para pedir ajuda a um europeu, esse problema passa a ser de toda a sociedade global. E basta ter um pouco de humanismo  para ver que o refugiado é semelhante a qualquer homem, mesmo despido de todas as futilidades da vida capitalista e vestido de esperança e medo.
Entretanto, nem todos os indivíduos têm essa audácia de se colocar no lugar do outro, de ser humano. Há quem preferia o barbarismo  e, infelizmente, desse tipo de pessoa a Europa - e o resto do planeta - está cheia. Diversos países diferentes continente wstao fechando suas fronteiras para os refugiados. Estão entregando aos mares incontáveis vidas. Estão promovendo o horror, como o Estado Islâmico. Mas isso, bom... Isso não é chamado de terrorismo. Imagina só: a Europa praticando terrorismo? Claro que não. Isso é estratégia para evitar futuras e possíveis conturbações no continente. A morte, o sangue, o choro, o grito por socorro tudo isso é reflexo do barbarismo que é fechar os olhos. Fechar as portas. Fechar as fronteiras.
É difícil engolir o preconceito e sentir o gosto da alteridade e da empatia. Pensar no "e se fosse eu?" pode provocar um certo desconforto. Porém, a inquietação e o espanto são necessários. A Europa e o mundo não devem ser insensíveis com essa anormalidade que é ser refugiado e tampouco aceitar as atrocidades cometidas pelo Estado Islâmico. Todavia, a barbaridade (sim, a condição de refugiado é uma barbaridade que atinge milhares de pessoas) não se resolve com barbárie. O homem, diante de uma história marcada pelo derramamento de sangue, bem sabe que a pior arma para garantir a paz é a guerra.

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