quinta-feira, 1 de outubro de 2015

AMOR NÃO SE MENDIGA


Não são poucas as vezes que revistas “teens” e blogs de moda e comportamento circulam temáticas como “10 dicas para conquistar aquele gato”. Se isso não é ridículo para a maioria dos jovens, creio que o amor e os relacionamentos estão, hodiernamente, fadados ao fracasso. Ei, há um asterisco que esses meios de circulação não citam e que são de extrema importância: *não se mendiga amor. Qual é?! Amor não se conquista com 10 dicas, nem mesmo com 15 passos.
O amor não se procura, nem se insiste, ele simplesmente acontece. Acontece na fila de um banco, na lanchonete da faculdade, no supermercado ou na festa de aniversário de um primo de 3º grau. Não importa onde ou quando, o amor acontece sem a gente ver - ele nos pega desprevenido. O problema, contudo, é que por vezes ele demora a aparecer e, por isso, num mundo em que ninguém quer acabar sozinho, bate o desespero. Nesse contexto, matérias sobre como conquistar um homem são altamente lucrativas e o amor é totalmente banalizado.
Forçar a barra nunca foi algo que admirei. Sou apaixonada por acontecimentos naturais, sem segundas intenções, sem porquês e para quês. Porém, numa sociedade em que até relacionamento e amor viraram matéria prima para a industrial cultural, eu sou tachada de brega. Brega e clichê, prazer, essa sou eu. De cara lavada, falo: odeio o superficial. Cara, eu sou taurina: entrego-me de corpo e alma àquilo e àquele que amo. Mas só se eu amar. E ninguém me conquista com 10 dicas publicadas numa revista que custa 12 reais. Não é pelo preço, mas sim porque é superficial. Ah, como bem disse, o superficial causa-me náuseas.
Grande parte dos relacionamentos contemporâneos dá errado, por causa, justamente, da banalização do amor. Quando um namoro acaba, a primeira questão que passa pela nossa cabeça é: “por que não deu certo?” A pergunta a se fazer, porém, não é essa, mas, sim “será que era amor?” Na maioria das vezes não era. Não era, pois a gente tem essa mania de precipitar as coisas. A gente tem essa mania de confundir solidão com amor. A gente tem essa mania de se declarar sem amar. Tem uma coisa que a gente precisa aprender antes do amor acontecer: ficar sozinho não é tão ruim assim e pode ser muito –muuuuuuuito– bom.

Tenha isto sempre em mente: enquanto o amor for mendigado, a futilidade virá como gorjeta. 

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