sábado, 26 de setembro de 2015

FATIAS DA MINHA LARANJA

A vida não é feita de um amor
Eu, por exemplo, tive vários
E os amei na mesma intensidade
A diferença porém
Não está no Zé ou no Fulano
Mas em mim
Sim! “O problema não é você, sou eu”
Amei todos os meus amores igualmente
A pessoa que eu era quando os amei
Aí sim, é que era diferente
Não tenho metade da laranja
Tenho fatias
Fatias de laranja que me completam
Não é ménage
Nem sacanagem
São meus amores da vida

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

TEM PRÍNCIPE QUE NÃO LIGA NO DIA SEGUINTE


É irrefutável que nós, mulheres, crescemos ouvindo histórias de princesas em apuros que encontram um príncipe e ambos vivem felizes para sempre. A gente não se pergunta como uma “fada madrinha” faz de uma abóbora uma carruagem, nem como uma maça pode fazer alguém dormir por tanto tempo. A gente, simplesmente, acredita na magia. Tomamos como verdade o príncipe que procura, por toda a cidade, a moça que esqueceu o sapatinho de cristal num baile. Que diabos? Eu jamais deixaria um sapato de cristal para trás. Não é questão de luxúria, mas é que eu tive que trabalhar hora extra para poder pagar esse sapato caríssimo. E olha que eu dividi em suaves parcelas.
A questão é: não sou tão apressada quanto a Cinderela e tampouco descuidada como a Branca de Neve, que aceita maça de qualquer bruxa que passa na esquina. Eu sou uma mulher independente. Trabalho de segunda a sexta e, às vezes, dou-me o luxo de ir a uma balada com minhas amigas – que estão mais para plebéias – em um sábado à noite. Fazer o que? Não é todo mundo que frequenta bailes ou que possui uma fada madrinha, não é mesmo? E se você espera por um príncipe como o da Branca de Neve, pode esperar sentada! Homem nenhum vai atravessar uma floresta para acordar uma dondoca com um beijo. Ele tem mais o que fazer, colega. Há contas para pagar, o cachorro para cuidar, a louça para lavar e um carro para concertar. A vida real não é tão simples como nos contos de fada.
Duro mesmo é quando nós descobrimos que os príncipes da vida real não são tão românticos e dedicados quanto, por exemplo, o que a Rapunzel fisgou com a sua trança. Nós choramos quando o nosso primeiro namorado decide, do nada, terminar. Choramos, porque acreditávamos que ele era “o príncipe”. Choramos também no segundo término, no terceiro, no quarto... Até o dia que nos conformamos que as princesas da Disney estão casadas com os melhores príncipes. Os que sobraram, até dão para o gasto, mas eles não são dignos de serem exibidos nas telas de cinema. Tem príncipe, por exemplo, que não paga a conta do restaurante. Tem príncipe que não liga no dia seguinte. Tem príncipe que não te pede em casamento. E não tem nada de errado nisso tudo, até porque, tem princesa que não procura por príncipe. Tem princesa que não quer compromisso. Tem princesa que sonha com o diploma, não com uma casa, dois filhos e um cachorro.

Uma coisa que a princesa Ariel não sabia é que tudo bem viver, no mar, solteirona, sem um príncipe. Tem muita coisa linda e maravilhosa para se ver nas águas profundas. Tem muita vida esperando para ser descoberta, com ou sem príncipe. 

terça-feira, 15 de setembro de 2015

PRIMEIRA VEZ


Na primeira vez que ouvi uma música do Slipknot, meus ouvidos doeram. Claro que doeram, eu sempre fui de ouvir mpb. Meus ouvidos estavam acostumados com Lulu Santos, Maria Gadú e Cazuza, não com Slipknot. Eu estava no carro, escutando a rádio e quando começou o refrão da música - aquela parte "I am a worm before I am a man", sabe? -, eu pensei comigo: como alguém consegue gostar disso? Haja ouvido para heavy metal.
Isso me fez pensar também como alguém consegue passar a vida inteira sem comer carne ou como biólogos conseguem ir para o pólo sul cuidar de pinguins. Eu não aguentaria ficar uma semana sem comer uma alcatra bem passada e nem mesmo um dia num lugar em que meus ossos latejassem de frio. São loucos os vegetarianos e os biólogos? Talvez.
Depois desse drama e depois da rádio já ter tocado outras três músicas, eu fui pesquisar um pouco sobre heavy metal e sobre Slipknot enquanto o famigerado trânsito de São Paulo estava estagnado. Cara, até o jeito que a banda se caracteriza é bizarro! Pesquisa vai, pesquisa vem... Coloquei uma música deles, chamada “Snuff”, para tocar. Dessa vez, meus ouvidos não reclamaram nem protestaram contra àquele timbre. Era uma música bem mais tranquila que a primeira que eu tinha escutado. A letra era bacana. O som da guitarra estava foda. Eu estava curtindo o som, confesso.
Aumentei o volume e até arrisquei cantarolar. "But all of that was ripped apart, when you refused to fight SO SAVE YOUR BREATH, I WILL NOT HEAR!" Mas o pessoal dos outros carros pareceu não gostar. Buzinaram, buzinaram e buzinaram. Pensei comigo: Que diabos! Como alguém consegue não gostar dessa música? 

Essa minha rápida aceitação musical, me fez pensar em algumas coisas e chegar a algumas conclusões: a priori, a experiência é extremante importante para que a gente possa se adaptar às coisas novas e para que possamos adquirir mais conhecimento de mundo. Se meus ouvidos não tivessem sofrido com a primeira música, talvez a segunda não seria tão boa. A adaptação, por sua vez, não é um bicho de sete cabeças.Pode ser difícil, penoso e dolorido, mas adaptar-se, seja lá ao que for, é totalmente possível. Se eu consegui e gostei de escutar Slipknot, você, meu caro, está apto para qualquer coisa. Inclusive para ser vegetariano ou viajar para o pólo sul a fim de cuidar de pinguins. 

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

O COMEÇO DE UM FIM


Fins existem. Por mais difícil de aceitá-los, eles estão aí. Para magoar, para chorar, para se embriagar, para entrar em depressão… Mas acima de tudo, para iniciar. Inciar uma nova jornada (que vai, novamente, acabar num fim inédito). Esse é o ciclo vicioso chamado “vida”.

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

UMA QUESTÃO DE SORTE


Se tiver sorte - quero dizer, muita sorte - você pode encontrar um cara que te ame; algo como a metade da sua laranja ou sua alma gêmea. É possível. Vai ver você o encontre num elevador ou num ponto de ônibus.Quem sabe, por ironia do destino, você o encontre na fila de uma loteria? Seria a melhor aposta da sua vida, grande sorte.

terça-feira, 1 de setembro de 2015

CORFOMISMO: O MAL DO SÉCULO

Augusto Cury escreveu um livro, recentemente, sobre a ansiedade e caracterizou-a como o “mal do século”. Eu, como uma pessoa que sofre com o male que é a ansiedade, acredito que não é para tanto: a ansiedade não é o mal do século. Tem coisa muito pior que o meu roer de unhas antes de uma entrevista de emprego ou que a minha ânsia antes de um teste importante. Tem coisa muito pior que a ansiedade, a começar pelas 5 crianças que, neste minuto, morreram de fome em algum lugar do mundo.
Sim, sim. Pelo menos 5 crianças morrem de fome a cada minuto. E a morte delas, ninguém vela. O nome disso, meus caros, é conformismo. Augusto Cury que me perdoe, mas o mal do século chama-se conformismo, não ansiedade. O ser humano tem se conformado com o que não devia. Ele se conforma com a fome na África, com o trabalho análogo à escravidão na China e com a educação precária no Brasil. Ele se conforma com o inconformável.
A família hodierna, por exemplo, almoça na sala assistindo ao jornal e tem como aperitivos assassinatos e assaltos. Todavia, ninguém se espanta. O João, filho mais novo dessa família, teve o celular furtado semana passada e a solução para esse crime que deveria ser inadmissível foi comprar um celular novo, pois a vida segue. “Vida que segue”, diz Joana, a esposa e mãe, para uma amiga depois de revelar que não aguenta mais o seu marido. Mas ela não vai pedir o divórcio, porque ela já tem lá seus 40 anos e não quer enfrentar mudanças. O marido, por outro lado, não aguenta mais ser professor de matemática e sonha em abrir uma microempresa, contudo, ele não vai pedir demissão do colégio onde trabalha. Ele vai continuar como professor porque é mais fácil assim. É mais fácil aceitar a realidade do que mudá-la; é mais fácil se conformar.
Quantas famílias não são como essa? Quantas mulheres não querem, assim como a Joana, se separar de seus maridos? Quantos trabalhadores não sonham em ter seu próprio negócio? Quantas crianças africanas não dariam tudo por um pedaço de pão? Quantos animais já foram extintos para alimentar a famigerada indústria da moda? Quantas mães não choram no corpo de seus filhos assassinados? Quantos e quais terão que morrer para você se comover?
Está vendo? O conformismo cegou a humanidade. O conformismo é o mais perigoso assassino solto. O conformismo mata desde sonhos às pessoas. O conformismo enterra a felicidade sem direito a homenagens. Esse é o mal do século e a humanidade precisa ser, urgentemente, medicada.