Não são poucas as vezes que revistas “teens” e blogs de moda
e comportamento circulam temáticas como “10 dicas para conquistar aquele gato”.
Se isso não é ridículo para a maioria dos jovens, creio que o amor e os
relacionamentos estão, hodiernamente, fadados ao fracasso. Ei, há um asterisco
que esses meios de circulação não citam e que são de extrema importância: *não
se mendiga amor. Qual é?! Amor não se conquista com 10 dicas, nem mesmo com 15
passos.
O amor não se procura, nem se insiste, ele simplesmente
acontece. Acontece na fila de um banco, na lanchonete da faculdade, no
supermercado ou na festa de aniversário de um primo de 3º grau. Não importa
onde ou quando, o amor acontece sem a gente ver - ele nos pega desprevenido. O
problema, contudo, é que por vezes ele demora a aparecer e, por isso, num mundo
em que ninguém quer acabar sozinho, bate o desespero. Nesse contexto, matérias
sobre como conquistar um homem são altamente lucrativas e o amor é totalmente
banalizado.
Forçar a barra nunca foi algo que admirei. Sou apaixonada
por acontecimentos naturais, sem segundas intenções, sem porquês e para quês.
Porém, numa sociedade em que até relacionamento e amor viraram matéria prima
para a industrial cultural, eu sou tachada de brega. Brega e clichê, prazer,
essa sou eu. De cara lavada, falo: odeio o superficial. Cara, eu sou taurina: entrego-me
de corpo e alma àquilo e àquele que amo. Mas só se eu amar. E ninguém me
conquista com 10 dicas publicadas numa revista que custa 12 reais. Não é pelo
preço, mas sim porque é superficial. Ah, como bem disse, o superficial causa-me
náuseas.
Grande parte dos relacionamentos contemporâneos dá errado,
por causa, justamente, da banalização do amor. Quando um namoro acaba, a
primeira questão que passa pela nossa cabeça é: “por que não deu certo?” A
pergunta a se fazer, porém, não é essa, mas, sim “será que era amor?” Na
maioria das vezes não era. Não era, pois a gente tem essa mania de precipitar
as coisas. A gente tem essa mania de confundir solidão com amor. A gente tem
essa mania de se declarar sem amar. Tem uma coisa que a gente precisa aprender
antes do amor acontecer: ficar sozinho não é tão ruim assim e pode ser muito –muuuuuuuito–
bom.
Tenha isto sempre em mente: enquanto o amor for mendigado, a
futilidade virá como gorjeta.
