Na primeira vez que ouvi uma música do Slipknot, meus ouvidos
doeram. Claro que doeram, eu sempre fui de ouvir mpb. Meus ouvidos estavam
acostumados com Lulu Santos, Maria Gadú e Cazuza, não com Slipknot. Eu estava
no carro, escutando a rádio e quando começou o refrão da música - aquela parte
"I am a worm before I am a man",
sabe? -, eu pensei comigo: como alguém consegue gostar disso? Haja ouvido para heavy metal.
Isso me fez pensar também como alguém consegue passar a vida
inteira sem comer carne ou como biólogos conseguem ir para o pólo sul cuidar de pinguins. Eu não aguentaria ficar uma semana sem comer uma alcatra bem passada
e nem mesmo um dia num lugar em que meus ossos latejassem de frio. São loucos
os vegetarianos e os biólogos? Talvez.
Depois desse drama e depois da rádio já ter tocado outras três
músicas, eu fui pesquisar um pouco sobre heavy metal e sobre Slipknot enquanto
o famigerado trânsito de São Paulo estava estagnado. Cara, até o jeito que a banda
se caracteriza é bizarro! Pesquisa vai, pesquisa vem... Coloquei uma música
deles, chamada “Snuff”, para tocar. Dessa vez, meus ouvidos não reclamaram nem
protestaram contra àquele timbre. Era uma música bem mais tranquila que a
primeira que eu tinha escutado. A letra era bacana. O som da guitarra estava
foda. Eu estava curtindo o som, confesso.
Aumentei o volume e até arrisquei cantarolar. "But all of that was ripped apart, when you refused to fight SO SAVE YOUR BREATH, I WILL NOT HEAR!" Mas o pessoal dos
outros carros pareceu não gostar. Buzinaram, buzinaram e buzinaram. Pensei
comigo: Que diabos! Como alguém consegue não
gostar dessa música?
Essa minha rápida aceitação musical, me fez pensar em algumas
coisas e chegar a algumas conclusões: a priori, a experiência é extremante importante para que a gente possa
se adaptar às coisas novas e para que possamos adquirir mais conhecimento de
mundo. Se meus ouvidos não tivessem sofrido com a primeira música, talvez a segunda não seria tão boa. A adaptação, por sua vez, não é um bicho de sete cabeças.Pode ser
difícil, penoso e dolorido, mas adaptar-se, seja lá ao que for, é totalmente possível. Se
eu consegui e gostei de escutar Slipknot, você, meu caro, está apto para qualquer
coisa. Inclusive para ser vegetariano ou viajar para o pólo sul a fim de cuidar de pinguins.

Nenhum comentário:
Postar um comentário