terça-feira, 15 de setembro de 2015

PRIMEIRA VEZ


Na primeira vez que ouvi uma música do Slipknot, meus ouvidos doeram. Claro que doeram, eu sempre fui de ouvir mpb. Meus ouvidos estavam acostumados com Lulu Santos, Maria Gadú e Cazuza, não com Slipknot. Eu estava no carro, escutando a rádio e quando começou o refrão da música - aquela parte "I am a worm before I am a man", sabe? -, eu pensei comigo: como alguém consegue gostar disso? Haja ouvido para heavy metal.
Isso me fez pensar também como alguém consegue passar a vida inteira sem comer carne ou como biólogos conseguem ir para o pólo sul cuidar de pinguins. Eu não aguentaria ficar uma semana sem comer uma alcatra bem passada e nem mesmo um dia num lugar em que meus ossos latejassem de frio. São loucos os vegetarianos e os biólogos? Talvez.
Depois desse drama e depois da rádio já ter tocado outras três músicas, eu fui pesquisar um pouco sobre heavy metal e sobre Slipknot enquanto o famigerado trânsito de São Paulo estava estagnado. Cara, até o jeito que a banda se caracteriza é bizarro! Pesquisa vai, pesquisa vem... Coloquei uma música deles, chamada “Snuff”, para tocar. Dessa vez, meus ouvidos não reclamaram nem protestaram contra àquele timbre. Era uma música bem mais tranquila que a primeira que eu tinha escutado. A letra era bacana. O som da guitarra estava foda. Eu estava curtindo o som, confesso.
Aumentei o volume e até arrisquei cantarolar. "But all of that was ripped apart, when you refused to fight SO SAVE YOUR BREATH, I WILL NOT HEAR!" Mas o pessoal dos outros carros pareceu não gostar. Buzinaram, buzinaram e buzinaram. Pensei comigo: Que diabos! Como alguém consegue não gostar dessa música? 

Essa minha rápida aceitação musical, me fez pensar em algumas coisas e chegar a algumas conclusões: a priori, a experiência é extremante importante para que a gente possa se adaptar às coisas novas e para que possamos adquirir mais conhecimento de mundo. Se meus ouvidos não tivessem sofrido com a primeira música, talvez a segunda não seria tão boa. A adaptação, por sua vez, não é um bicho de sete cabeças.Pode ser difícil, penoso e dolorido, mas adaptar-se, seja lá ao que for, é totalmente possível. Se eu consegui e gostei de escutar Slipknot, você, meu caro, está apto para qualquer coisa. Inclusive para ser vegetariano ou viajar para o pólo sul a fim de cuidar de pinguins. 

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