Eu nunca tinha entendido aquela agonia que as mulheres sentem aí esperar a ligação - ou até mesmo uma mera mensagem - daquele cara da noite anterior. Pelo amor de Deus, é só um homem! Oras, você pode ir a uma boate no sábado e encontrar outro homem pronto para suprir sua carência e te levar ao delírio depois de uma semana cheia de trabalho. Por que ficar pensando no rapaz que pegou o seu número depois de uma conversa, de um beijo ou de uma transa que seja? Eu nunca tinha entendido essa agonia de esperar um sinal de vida do "cara de ontem", até o dia em que anotei o meu número no celular de um rapaz de olhos claros, na sala de desembarque de um aeroporto. Aí, sim, senti na pele o que é ficar colada no celular.
Confesso que ainda não larguei o meu celular, que ainda o pego, com muita esperança, a cada vibrar e a cada barulho que ele faz. Mesmo após se terem passado 7 dias. Tanta esperança vem dos "talvez" que construo na minha mente vazia e, quiçá, ingênua. De fato, ele ainda não ligou... Mas, talvez, ele esteja ocupado com os amigos, até porque o motivo que levou ele a estar na mesma cidade que eu são quatro amigos. Ou quem sabe ele está tão deslumbrado com a calmaria que é essa cidade, em comparação à capital agitada e apressada que é São Paulo, e não teve tempo de fazer uma ligaçãozinha? Sim, ele é paulistano. Ah, e ele faz direito! Como descobri tudo isso? Depois de viajar num Boeing - cujo número do voo era 1599 - ao lado de um cada educado e com um papo bacana, dá para descobrir algumas coisas além da beleza daquele par de olhos verdes.
Sempre tento viajar sentada ao lado da janela, seja o meio de transporte que for! Nessa minha última viagem de São Paulo até a cidade que moro, não foi diferente. Janela na certa. O diferencial desse voo, porém, foi que tive o prazer de ter ao meu lado um jovem educado e carismático que tentou puxar assunto comigo desde que os avisos de segurança aos passageiros começaram. Mas eu sou um pouco marrenta... De princípio, não dei bola. Não dei bola, até viajar por aqueles olhos. "A janela deveria ser maior ", ele disse depois de eu abrir a janela ao meu lado, que estava fechada por causa do sol. Obrigada sol. "Também acho, até porque a graça de voar é poder admirar". E assim começou. Começou o que costumo chamar de "amor de um minuto" A diferença desse amor de 60 segundos para os outros que compuseram minha vida foi que, no final, eu dei a ele o meu número. E ele ainda não ligou.
Como a esperança é a última que morre, eu ainda estou esperando. Agoniada, espero que até o final desde texto ele dê um sinal de vida. Uma mensagem ou uma ligação, não importa, continuo no aguardo. E se ele não ligar? Bom, se ele não ligar, o jeito é chamar as amigas para sair no próximo sábado, afinal, sempre vai existir um homem pronto para suprir minha carência. Pode não ser um rapaz com um par de olhos verdes que, assim como eu, prefere viajar perto da janela e admirar a vista. Pode não ser um paulistano que faz direito. Pode não ser o cada que durante um voo me deu a dica de viajar durante a noite porque, segundo ele, "dá para ver todas as estrelas e parece que você está no espaço" .
segunda-feira, 14 de dezembro de 2015
A janela deveria ser maior
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