segunda-feira, 31 de agosto de 2015
UM ESTRANHO MOSAICO ÍMPAR
Carlos Drummond de Adrande escreveu umas vez que todo ser humano é um estranho ímpar. De fato, ninguém é igual a ninguém, mas há algo em comum entre eu e você. Entre eu e o seu vizinho. Entre você e o meu melhor amigo. Sim, sim. Há algo que tangencia dois estranhos ímpares: todos nós somos como um mosaico incompleto e inconstante. Um mosaico de experiências, de histórias e de aprendizagem.
A graça da vida está , justamente, no fato de sermos esse estranho mosaico ímpar – incompleto e inconstante. Incompleto e inconstante, pois estamos sempre aprendendo novas culturas e ideias e mudando de opinião. Caramba, que “metamorfose ambulante”, não é mesmo Raul Seixas?
Montar esse mosaico é viver. É viajar para aquela cidadezinha no interior e ouvir o sotaque do padeiro e rir, sem preconceito linguístico, do jeito que ele fala “pão com carne”. É conversar com o moço que está sentado do seu lado, no metrô, sobre política e clima. É ser reprovado naquele teste importante e não desistir, porque uma hora há de dar certo. É sentar com seus avôs no sofá e escutar histórias sobre o quanto eles trabalhavam para por comida na mesa. É sorrir para o garçom e perguntar qual prato ele prefere. É economizar dinheiro para fazer aquela viagem incrível que você tanto sonha. É chorar no travesseiro depois de terminar o namoro e odiar, durante meses, o ex. É chamar os amigos numa quinta-feira à noite para comer pizza e tomar vinho em copo de requeijão. É ligar para o chefe e fingir estar doente para poder ficar em casa, o dia inteiro, assistindo filme de drama.
Toda experiência, história e aprendizagem são pedacinhos que compõem o ser humano e cada fragmento tem o seu valor na construção do mosaico que é “ser” humano.
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